Produto:
Sua história prova que força de vontade e paixão por aquilo que fazemos sempre nos levam à estrada certa.
Filho de músico amador, ainda criança pegou gosto pela coisa e descobriu no mais de 400 discos que o pai possuía uma fonte infinita de diversão. Passava horas escutando música ao lado de seu pai como se estivesse brincando.
Com mais ou menos sete anos, André decidiu que também queria tocar. As revistinhas tipo VIGU (Violão e Guitarra) – revistas com transcrições famosas principalmente na década de 80 – o ajudaram a tirar as primeiras músicas. Depois começaram as aulas. “Com minha primeira professora entrei em contato com a parte teórica. Aprendi a ler acordes direito e fiz o Bonna – livro de solfejo. Depois estudei violão erudito e aprendi a ler partitura, o que foi muito bom para minha formação”.
Percebendo que o interesse do filho pela música não se tratava apenas de brincadeira, o pai o presenteou com uma guitarra. Com o instrumento em mãos, ele montou algumas bandas com vizinhos e amigos do colégio em sua cidade, Santo André, no ABC paulista. Nessa época, início dos anos 80, a cena roqueira da capital começava a crescer. Havia eventos como o Rock’n Rua, a Praça do Rock e outros que abriam espaço para os talentos nacionais. Era impossível gostar de guitarra e não ouvir o pop. Mais do que opção, o estilo surgia como uma tendência para os aspirantes a músico.
Além de ouvir discos de Cat Stevens, Beatles, Bob Dylan e Rollings Stones, André começava a formar sua própria discoteca com vinis do Kiss e Iron Maiden. Com a primeira edição do Rock in Rio, em 1985, as portas se abriram de vez para que o rock ficasse ainda mais forte no Brasil.
As bandas de colégio já não eram mais encaradas como brincadeira. “Apesar da precariedade dos instrumentos e dos lugares que havia para você se apresentar, já tínhamos a intenção de fazer algo mais profissional. Montei uma banda chamada Target, com alguns amigos. Chegamos a gravar um demo e atingir certo destaque no cenário”. André e os outros membros da banda chegaram a dar entrevistas em programas de rádio e ter uma de suas músicas inseridas na programação. “Ao mesmo tempo em que as coisas aconteciam, esse lance de rock começou a não soar mais tão natural para mim. Depois que ouvi Jimi Hendrix pirei. Na primeira vez achei super estranho, não tinha nenhuma referência, mas quando comecei a entender a música de Hendrix, percebi quanta coisa legal era possível fazer com a guitarra”.
A banda acabou e cada integrante seguiu o seu caminho. Nessa época, André já estudava música na Fundarte de maneira mais séria. Lá entrou em contato com a parte de harmonia e orquestração, aperfeiçoando sua capacidade de compor e arranjar as canções.
Essa experiência despertou nele à vontade de aprofundar, ainda mais, seus conhecimentos. “Pensei em fazer faculdade de música, mas fui desencorajado por um amigo que estudava na USP. Na época, os cursos superiores eram voltados totalmente para a parte erudita. Não era bem isso que eu queria. Então, optei por estudar Comunicação e Artes”.
Já na faculdade, ele descolou um estágio na rádio Eldorado FM. Trabalhava na discoteca, catalogando e organizando os discos. “Eles tinham mais de 40 mil títulos. Escutei de tudo. Foi nessa época que estreitei meu contato com música brasileira. Ouvia Antônio Adolfo, João Gilberto”. Aliás, a música de João foi o segundo divisor de águas na vida do guitarrista. Da mesma forma que pirou ao ouvir Jimi Hendrix na adolescência, André descobriu novos caminhos ao perceber a maneira especial de tocar do violonista.
Os caminhos para a profissão de músico pareciam estar cada vez mais definidos, mas ao se formar, em 1995, André acabou deixando a guitarra de lado por algum tempo. “Nessa época comecei a me interessar por equipamentos e home studios. Aprendi a mexer com MIDI e passava horas compondo trilhas com teclados, samplers e computador”.
Cerca de um ano mais tarde, ele daria o passo que o traria de volta para caminho da guitarra. Incomodado, resolveu largar tudo para o alto e retomar a carreira de guitarrista. “Resolvi estudar nos Estados Unidos. Precisava voltar para a guitarra e a melhor forma de fazer isso era mergulhar de cabeça”.
Dentre as escolas de guitarra que pesquisou, o MI (Musician Institute) foi escolhido. André viajou para os Estados Unidos em setembro de 1997. Mas, qual não foi sua decepção logo no primeiro dia de aula. “Entre outros motivos, escolhi o MI por causa dos professores. Queria fazer aula com o Joe Diorio. Seu nome estava no catálogo, mas ele já não lecionava mais lá. A segunda opção era o Scott Henderson, mas a sala dele tinha no mínimo cem alunos”.
Com a ajuda de um amigo – o também guitarrista Demma K – André conheceu o LAMA (Los Angeles Music Academy). Já descrente, conversou com Frank Gambale, grande músico e também professor da escola, que se prontificou em ajudá-lo e o aceitou em sua turma, sem teste. “A classe do Gambale tinha cinco alunos e o nível da turma era homogêneo. O aproveitamento do curso foi total”.
Além de Frank Gambale, Andre teve aulas com excelentes professores como Linda Taylor, que tocou com Prince e Tracy Chapmam, Jeff Richman, Bill Fowler e Dave Bozzi e o incrível Jean-Marc Belkadi.
Quando se formou no LAMA, ele resolveu ficar mais um ano na terra do Tio Sam para fazer um curso de gravação. Em uma conversa descompromissada com o professor Gambale recebeu uma excelente proposta: trabalhar como seu assistente pessoal. Impossível dizer não. “Eu fazia um pouco de tudo. Desde buscar o carro no lava-rápido até afinar suas guitarras e cuidar de seu equipamento”. Nesse meio tempo, Frank iniciou as gravações de seu disco-solo Comimg to you Senses (2000) e André acompanhou todo o processo. “Estava fazendo um curso de gravação na UCLA e esse foi o melhor estágio que podia arrumar. Trabalhei como roadie do Gambale. Afinava as guitarras, arrumava os microfones e amplis para ele gravar e de quebra acompanhei toda a gravação, produção e mixagem do disco”.
Ao final do terceiro ano de trabalho nos Estados Unidos André resolveu voltar para o Brasil. Era preciso decidir por um lugar e apostar na carreira de guitarrista. Foi uma decisão difícil, porém acertada. Assim que voltou ao Brasil não tardaram a aparecer trabalhos. Na primeira semana, já estava tocando na noite paulistana ao lado de alguns amigos. Começou a dar aulas no baseadas no imenso material que trouxe dos EUA e com a experiência de viver um tempo fora.
Não demorou muito para que Demma K o convidasse para escrever uma coluna e publicar alguns testes de equipamento no site especializado que estava desenvolvendo ao lado de Sydnei Carvalho, o Guitarbrasil. “Eu era o primeiro brasileiro formado no LAMA. Todo mundo que voltava era formado em Berklee ou no MI, então isso foi um diferencial para alavancar minha carreira”. Um dos textos feitos por André acabou sendo publicado na revista COVER GUITARRA. A convite de Sydnei Carvalho, que fazia parte do conselho editorial da revista, ele passou a integrar o corpo de colaboradores. Alguns meses depois, após mudanças na diretoria da editora responsável, André recebeu uma proposta para ser editor técnico da revista. Assim, desde setembro de 2001, ele assina o editorial, acompanha de perto matérias especiais, testes e aulas publicadas na CG. Além disso, publica mensalmente uma coluna em que transmite aos leitores um pouco de sua experiência e paixão pela música e pela guitarra.
Também explorando a parte didática da guitarra, André já no mercado nacional a série “Guitarra Fundamental”, em dois volumes pela MF Music, que contém métodos de João Castilho, Pixinga, Joe Mograbhi, entre outros, além de ser o autor do primeiro método de guitarra vendido em bancas de todo Brasil, a série “Toque de Mestre”, pela editora HMP.
Em 2003, André entrou em estúdio para gravar seu primeiro CD-solo Argila. Com composições feitas ainda nos Estados Unidos, esse álbum é, acima de tudo, um sonho que se concretiza. São 10 faixas que misturam música brasileira, jazz, fusion e muito groove. É um disco muito brasileiro, mas com arranjos modernos. São músicas que tenho como filhos, que conheço muito bem. Transformar suas composições em um disco é um sonho. “Compor e gravar são o que eu mais gosto de fazer”. O cd Argila será lançado em agosto de 2004.
Desde janeiro de 2003, André é coordenador educacional da GIG, uma escola de música baseada e estruturada em um conceito didático moderno e diferente, onde as aulas são personalizadas e o programa é feito de acordo com as necessidades específicas de cada aluno.
Em setembro de 2003, André lançou 2 vídeos - aulas chamadas “Sonoridade & Improvisação”, saindo agora em 2004 em formato DVD.
A relação do músico com marcas nacionais são extensas. “Eu sempre acreditei no Brasil, e as marcas que me patrocinam são todas nacionais, feitas e desenvolvidas aqui mesmo. Eu acho que desta maneira o músico pode contribuir de forma muito mais produtiva e honesta. Não tenho interesse em receber equipamento de graça, tirar fotos fazendo umas caretas e, além de nunca usar o produto, não dar a mínima para a qualidade. Não sou modelo, sou guitarrista. Quero trabalhar com marcas que confiam e acreditam que o mercado brasileiro pode ser feito com produtos que possuem qualidade, bom gosto, design e valor agregado” diz o músico. André Martins usa cordas SG para guitarra e violão, guitarras Tagima, amplificadores Meteoro, pedais Onerr e palhetas artesanais Cerne.
André Martins usa cordas SG 0,10 e 0,11 para guitarra e cordas SG para violão nylon e aço
Set-up atual
- Guitarra ThinLine Tagima com P-90 Seymour Duncan com cordas SG 0.10
- Guitarra ThinLine Tagima com EMG com cordas SG 0.11
- Guitarra semi-acústica Gibson ES-175 com cordas SG 0.11
- Violão Ramã nylon com cordas SG nylon
- Violão Cort Aço com cordas SG aço
- Amplificador valvulado Meteoro Classic Deluxe V-12
- Palhetas de madeira artesanais CERNE
- Palhetas celulóide Fender Heavy e Medium
Pedaleira customizada com
- Pedal de volume Ernie Ball
- Wah-wah Fat Boy Onerr
- Compressor MXR DynaComp
- Onerr Carbon X
- Boss Super Overdrive SD-1
- Ibanez Tube Screamer TS-10
- Onerr Digital Delay DD-2 24 bits
- Boss Digital Delay DD-3
- Onerr Digital Reverb
- Boss Super Chorus
- Afinador Korg Pandora PX-2
Set-up pedaleira #2
- Pedal de volume Onerr GV-1
- Wah-wah Fat Boy II Onerr Switchless
- Onerr Carbon-X
- Onerr OverDrive TungSten
- Boss Grafic Equalizer EQ-7
- Onerr Digital Delay
- Onerr Nitrogen Chorus NC-2
- Afinador Boss TH-10
Site: www.andremartins.com.br
E-mail: gigmail@terra.com.br